O economista Clésio Foia levanta sérias suspeitas sobre o envolvimento de bancos comerciais na possível canalização de divisas, especialmente dólares, para o mercado de câmbio informal. Segundo ele, essa prática pode estar a agravar a escassez de moeda estrangeira no país.
Foia questiona a origem do elevado volume de dólares no mercado paralelo, alegadamente fora do controlo do Banco de Moçambique, e desafia as autoridades monetárias a explicarem como essas divisas circulam com tanta liberdade fora do sistema financeiro oficial.
Apesar dos sinais evidentes de falta de dólares, tanto o Banco Central como outras entidades do governo continuam a negar que o país enfrente uma crise cambial. Contudo, recentemente, o Presidente da República, Daniel Chapo, teceu duras críticas aos bancos comerciais, numa alusão indireta à gestão das divisas.
Em entrevista à TV Miramar, Clésio Foia sublinha que o dólar está a ser vendido no mercado informal a cerca de 80 meticais, muito acima da taxa oficial, que se mantém entre 64 e 65 meticais. A diferença cambial, segundo ele, incentiva os bancos e outras entidades a desviar fundos para o câmbio informal em busca de maiores lucros.
O economista apela ao Banco de Moçambique para agir com firmeza e implementar medidas eficazes que impeçam a fuga de divisas e protejam a estabilidade do metical, cuja desvalorização contínua tem impacto direto sobre o custo de vida e a sustentabilidade económica.
No que diz respeito à dívida pública, Clésio Foia alerta para um cenário preocupante. Com a trajetória ascendente da dívida e o enfraquecimento da moeda nacional, o país pode enfrentar sérias dificuldades económicas e financeiras num futuro próximo.
As declarações surgem após o anúncio das mais recentes decisões do Comité de Política Monetária do Banco de Moçambique, divulgado na última quinta-feira.
